FINIBANCO CUSTA MAIS DE 900 MILHÕES AO MONTEPIO

Em, Junho 2010, o CA do Montepio defendeu a aquisição do Finibanco Holding, com a justificação da  complementaridade das  areas de negócio e da rede de balcões.
A Holding apresentava lucros de 9,5  e de 1,2 milhões de euros, em 2009 e no 1º semestre de 2010, respectivamente, que conjuntamente com a sua avaliação global  justificaria que a OPA  oferecesse  um bónus  de 33% sobre o valor de cotação em bolsa.

Só o Montepio esteve interessado neste negócio e estranhou-se  que a cotação do Finibanco,  nas vesperas no anúncio da OPA, e em apenas 3 dias,  valorizasse 22%, permitindo um encaixe de mais 60 Milhões aos vendedores,  e que da parte do Montepio não tivesse havido qualquer reacção,  apesar  de tal facto ter levado a CMVM  a suspender a cotação do Finibanco na Bolsa de Valores de Lisboa.

Após a OPA, em Novembro 2010, o céu desabou quando descobrimos – a Administração nunca o divulgou  –  que o Finibanco, um mês após pertencer ao Montepio, apresentava um prejuizo de 56 Milhões e que da sua integração na Caixa Económica resultou  no capital desta  uma desvalorização superior a  200 milhões de euros.
A confiança nos dirigentes estava ferida de morte, empurrando-nos para a pesquisa nos Relatórios e Contas da Finibanco Holding e do Montepio que revelou:

i)  Os  prejuizos da Holding  já se arrastavam desde 2007, na ordem dos 55 Milhões €, milagrosamente interrompidos em 2009 e no 1º semestre de 2010;
ii)  A sua contabilidade não respeitava  as Normas Internacionais do Relato Financeiro (IFRS).
É o auditor externo do Finibanco (Ernest &Young)  que o assinala desde 2007, afirmando mesmo que o resultado  de 2009 deveria ter sido de 15,7 milhões negativos e não os 9,7 milhões divulgados (Nota 47, do RC de 2010);
iii)  O auditor externo do Montepio (KPMG) confirma esta falta de credibilidade ao reconhecer  que os Imóveis e Equipamentos  do Finibanco  valiam menos 70 milhões do que o considerado (Nota 29 da consolidação, do RC do Montepio de 2010);
iv)  De 2007 a 2009, a Finibanco-Holding  contraiu divida superior a 300 milhões  no mercado obrigacionista;
v) Em simultaneo,  accionistas e administradores da Holding retiraram  100 Milhões  sob a forma de empréstimos  (accionista principal 69 Milhões;  um administrador  10 Milhões; e as empresas onde accionistas e administradores tinham influência significativa  18 Milhões), empréstimos de recuperação muito duvidosa.
 vi) Venda de 50% da seguradora Finibanco Vida, à Mapfre, já em Dezembro de 2009, com as seguintes  clausulas: a gestão ser assegurada, maioritariamente, pela Mapfre; e ter o direito de venda exclusiva dos produtos Vida e não Vida da Mapfre na rede de  balcões do Finibanco.
O Montepio é  agora detentor dos restantes 50% , minoritário na gestão,  e com o imbróglio do exclusivo da venda dos produtos Mapfre nos balcões ex-Finibanco (mais indemnizações?)
vii) Distribuição  de 3,5 Milhões de dividendos aos accionistas, em Abril de 2010, apesar de transitarem resultados negativos de 53 milhões  de anos anteriores.

Neste negócio nada foi o que parecia e os defraudados são os associados do Montepio, legítimos proprietários da Instituição.

Contas feitas o Montepio pagou (ou está a pagar) pelo Finibanco: 341 milhões da OPA; mais de 300 Milhões em Obrigações e Juros; mais de 200 Milhões de desvalorização de Capital, o que totaliza cerca de 900 Milhões, aos quais há a adicionar o custo dos cerca de 900 excedentários e  todo o drama social que lhe está subjacente.

O Montepio comprou uma Holding que acumulava prejuízos progressivamente,  que não tinha capacidade para se recapitalizar e cuja contabilização não merecia credibilidade. Tinha sobreavaliados os activos, subavaliadas as responsabilidades e falseados os resultados  de 2009 e  1º  Semestre de 2010.
Os negociadores do Montepio tudo aceitaram e nada quiseram ver e os restantes orgãos sociais alinharam pelo mesmo diapasão.

A CMVM no plano da governação bancária recomenda a adopção de boas práticas no sentido de reforçar o controlo dos Administradores, em particular das Comissões Executivas, dando enfase à autonomia, independência e reforço dos orgãos fiscalizadores.
Nestas recomendações propõe  que  auditores externos , orgãos internos de Auditoria e Inspecção e Compliance reportem directamente aos Conselhos Fiscais e Conselhos Gerais, recomendando igualmente que devem ser estes orgãos fiscalizadores a escolher os auditores externos.
No Montepio estas recomendações merecem a nota “Não aplicável” .
Esta e outras circunstâncias recentes remetem-nos para o modelo de governação da Instituição ou seja, para a Revisão dos Estatutos da AM, da CE e Regulamento da Assembleia Geral.
Remetem-nos para as razões porque a Comissão eleita em Março de 2008, para este efeito, não cumpriu o mandato que lhe foi atribuido pela Assembleia – facto inédito na nossa história – e porque houve agora a tentativa ilegal de a ressuscitar, para alterar unicamente o Estatuto da CE no sentido de reforçar, ainda mais, os poderes do CA, caminho oposto ao recomendado pela CMVM.

De permeio fica este negócio duvidoso,  sobre o qual nada se sabe, blindado num deliberado mutismo ensurdecedor.

O associativismo está a ser chamado,  e vai continuar a sê-lo cada vez mais, a constituir-se  alternativa solidária de resposta às necessidades dos portugueses, protegendo-os da exploração das soluções com fins lucrativos.

Que entidades, que legislação,  defendem  o mundo associativo dos abusos dos seus dirigentes?

Este é um tema de interesse público e que tem de ser inserido na agenda politica nacional.

About Transparência e Escrutínio

Autor: Sócio nº 28.332 do MG, desde 1966. Espaço de comentário e reflexão sobre a evolução e relação do Montepio com a Sociedade Portuguesa. Pretende defender os valores mutualistas, a Missão da AM e interessar os associados na vida da AM.

One response to “FINIBANCO CUSTA MAIS DE 900 MILHÕES AO MONTEPIO

  1. birdo

    Se os numeros são crediveis, não há dúvida que os negociadores do montepio cairam numa grande esparrela.
    Interessa agora saber se cairam sem querer ou se fecharam os olhos.
    Cabe agora aos associados nos orgãos adequados-assembleia geral-pedir esclarecimentos a quem os deve dar. Já é tempo de as assembleias gerais do montepio serem oportunidades de debate e esclarecimento e não apenas reuniões de louvadores acriticos aos atos de gestão.

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