MUTUALISMO XXI (2): que credibilidade?

Missão, Valores, Estatutos são ignorados por serem empecilho.
Receber o máximo e retribuir o minimo é o propósito.
A AM é um instrumento do grupo e não o contrário. 
Há propaganda e ciclo eleitoral. Não há verdade nem rigor.
Estas são as conclusões extraídas das opções e dos números de 8 anos do Novo Montepio.
Vejamos:

A)     MAIS ASSOCIADOS, MENOS MELHORIAS

(Mapa 1)

GRUPO III *                                            2004             2010           2011           2012
(1) Reservas Matemáticas            163.564        297.619
(2) Provisão de Melhorias               96.273          83.525     79.380       77.185
(3)     (2)/(1)                                      58,86%         28,06%

(4) Nº Subscrições                          115.961        233.261
(5) Nº Pensionistas                             5.365             6.799
(6)        (4)+(5)                                  121.326        240.030

* Modalidades tradicionais de apoio ao associado e à família (Capitais Previdência; Pensões Reforma; Capitais Jovens; Diferidos com Opção…)

Apesar da procura destas modalidades, face a 2004, ter duplicado (6), bem como o valor dos seus Fundos  (1), a Provisão para Melhorias decresce, em valor absoluto (2) e relativo (3), com têndencia de declínio acentuado – previsão de(2) para 2011 e 2012.
Contrariamente à propaganda, o recuo do Estado Social é absolutamente ignorado pelo Mutualismo XXI.  Não quer responsabilidades com Pensões, sejam elas para os familiares ou para os próprios associados (velhice). Quer Capitais e Rendas Vitalícias como já se referiu em artigos anteriores.

B) EMPOBRECER AS MODALIDADES PARA RETRIBUIR MENOS AOS ASSOCIADOS.
O mapa abaixo mostra que 2004 marca o início da galopada dos Gastos Gerais Administrativos (GGA) na AM. Quintuplicaram  face a 2003. Dez milhões/ano, cem milhões por décadaretirados  aos associados.
Desde 1990, que o Código das Associações Mutualistas (CAM) impõe que:  as receitas de cada Modalidade devem cobrir os custos próprios,  (artº 34º), o que valoriza, bastante, o rigor e a verdade desta matéria. Dela depende a confiança dos associados na AM a quem entregam economias durante 30, 40, 50 anos.
(Mapa 2)

(Milhões €)

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

(1)GGA – AM

2,34

5,48

10,45

11,77

10,68

10,14

10,30

10,75

11,08

(2)Da CE para AM

39,30

15,92

24,58

11,50

20,25

25,63

11,15

20,29

23,08

(3)Capital CE

405

445

485

585

635

660

760

800

1.245

Várias questões se levantam:
i) Porquê a evolução até aos 12 Milhões ano de GGA na AM (1)? Quais os critérios que sustentam estes números? Há equilíbrio entre o custo do  esforço de venda de produtos das empresas do Grupo vendidos na rede de balcões na CE  e o atribuído à AM? A imagem social da AM  é o chapéu que protege, alavanca e dá credibilidade a todo o Grupo e, nessa medida, o funcionamento da AM é benefício e promoção para todas elas.
Há ou não desproporção nos 11 Milhões suportados pela AM?
ii) Esta redução de 11 Milhões de custos na CE – por  transferência  para a AM (1) –  aumenta directamente os  seus resultados no mesmo  montante.  O continuo aumento do Capital da CE (3), até ao triplo de 2003 também contribui para haver maiores resultados. Mas não é isso que acontece. As transferências da CE para a AM (2), oscilam entre o minimo de 11,15  e o máximo de 24,58 Milhões, menos de metade dos 40 Milhões de 2002 e 2003.
iii) Por fim, a legalidade. Os Estatutos da AM  não permitem que os GGA possam ser atribuídos directamente às Modalidades (Art. 58º) e definem que parte dos “rendimentos transferidos da Caixa Económica são destinados  …. e ao Fundo de Administração,…”.(Artº 62º)
Ora, até 2009, foram atribuídos GGA directamente às Modalidades e o Fundo de Administração nunca recebeu até hoje um cêntimo dos resultados transferidos da CE.
O  não cumprimento dos Estatutos tem classificação: é arbitrariedade.
E o propósito é claro: afogar as Modalidades tradicionais em custos para lhes reduzir a sustentabilidade e retribuir o mínimo aos associados.

C) GESTÃO POLITICA POR CICLO ELEITORAL
A informação que nos é proporcionada tem lógica de Poder. Não tem racionalidade económica.

(Mapa 3)

(Milhões €)

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

(1) Da CE para AM

39,30

15,92

24,58

11,50

20,25

25,63

11,15

20,29

23,08

(2) Capital CE

405

445

485

585

635

660

760

800

1.245

(3) Resultado AM

58,33

31,84

38,20

34,93

50,17

9,39

42,53

54,39

50,07

O mapa revela que as maiores transferências de resultados da CE para a AM (1) ocorreram em 2005, 2008, 2011.
O que têm estes anos em comum? São  anos que antecedem as eleições na AM.
E revela também que os de 2006 e 2009 são os piores.
O que os une ? Acabámos de votar.
Há, ainda, dois fenómenos cuja compreensão nos escapa:
a) No corrente ano, o resultado previsto para a CE é de apenas 3,5 M –  Orçamento Dez/2011 – mas a previsão de resultados a transferir  para a AM,  é de 23 M. As eleições têm o poder de transferir o que não existe?
b) Em 2008 – ano da crise financeira mundial – os bancos foram fortemente atingidos como sabemos.
(Mapa 4)

                               RESULTADOS LÍQUIDOS
                                           2007           2008          2009
(1) CGD                              856            459               279
(2) BPI                               375             150               175
(3) CE                                   64                35                 44
(4) AM                                  50                  9                 43
(5) Da CE para AM            20                26                 11

O que há de estranho no Montepio?
1 – Apesar do fraco resultado da CE  (3) a transferência  para a AM (5)  foi a maior do triénio (eleições).
2 –  Os resultados da AM (4) sofreram um trambolhão de 81%, (de 50 para 9 milhões).
Quem acredita que a AM (4), estava mais exposta à crise financeira do que a CE ou qualquer outro banco português?
A suspeita da utilização dos Fundos da AM (associados) para receberem os investimentos tóxicos é mais do que legitima.

D)  AM  E  ASSOCIADOS, INSTRUMENTOS ÚTEIS DO GRUPO.

A AM tem, e sempre teve, meios próprios de protecção para imprevistos do futuro. Tem o Fundo de Reserva (FR) que se alimenta dos outros Fundos.
Em 1988 criou mais o Fundo de Solidariedade Associativa (FSA), alimentado pela quota associativa, e cuja vocação é, também, acumular valor.
Em simultâneo desenvolveram-se modalidades que, pela sua natureza, são também acumuladoras naturais de excedentes – GPE e Complementos das Pensões de Reforma (CPR) – porque a grande maioria dos subscritores paga sem nada receber.
Apesar da existência destes diferentes Fundos acumuladores, o Mutualismo XXI ,em 2006, duplicou a QA para (2€/mês).
Juntemos todas estas formas de acumulação e vejamos o que resulta.
(Mapa 4)

RESULTADOS LÍQUIDOS ANUAIS

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008*

2.009

2010

TOTAL

F.R.

15.202

11.447

6.552

10.685

5.060

10.255

842

1.642

3.266

64.951

F.S.A.

2.871

3.309

3.284

4.124

5.265

4.733

5.930

5.429

4.582

39.527

G.P.E.

4.734

6.731

7.551

8.699

9.153

7.497

-5.042

9.715

10.928

59.966

C.P.R.

226

237

284

359

1.186

476

502

334

206

3.810

TOTAL

25.035

23.727

19.675

25.872

22.670

24.968

4.240

19.129

20.992

186.308

* 2008 crise financeira mundial

Repare-se, em  2008, nos resultados do Fundo de Reserva (FR) e da GPE. A suspeita de ter sido transferido para a AM  investimentos tóxicos, que não lhe pertenciam, ganha mais convicção.
Mas a grande constatação é que estes Fundos acumulam mais de 20 Milhões/ano, 200 Milhões por década, já depois de terem  sido utilizados como  amortecedores, como em 2008.

E estes Fundos são alimentados pelos mesmos associados a quem o Mutualismo XXI duplica a Quota Associativa, eleva as quotas em geral, acaba com as Pensões e quer explorá-los nas Rendas Vitalicias.  A quem  ignora direitos consignados nos Estatutos  (prazo dos Empréstimos aos Associados), e descapitaliza as Modalidades do Grupo III, as que materializam  o Mutualismo Solidário, razão de ser da Instituição.
Dos mapas 2 e 3 , pode-se afirmar que,  pelos critérios tradicionais da gestão do Montepio anteriores a 2004,  a AM nada recebeu dos seus resultados no conjunto dos 9 anos do Novo Montepio, apesar de ter triplicado o investimento na CE, facto que não há memória na história da Instituição.
A AM é um instrumento de suporte do Grupo Montepio. Deixou de ser a sua finalidade.

Para onde vai o Montepio e o Mutualismo e quem beneficia com esta evolução?
É o que  vamos continuar a perseguir. A começar pela necessidade de informação mais transparente e pela possibilidade dos associados falarem entre si, condições necessárias ao escrutinio de todos nós e exigências de vida democrática da Instituição.

About Transparência e Escrutínio

Autor: Sócio nº 28.332 do MG, desde 1966. Espaço de comentário e reflexão sobre a evolução e relação do Montepio com a Sociedade Portuguesa. Pretende defender os valores mutualistas, a Missão da AM e interessar os associados na vida da AM.

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